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Nada mais vale tanto a pena, nada mais é tão divertido, nada mais me tira o fôlego, tudo agora é tão vazio. Tudo agora é tão sei lá, ir e voltar, do mesmo lugar sem histórias novas pra contar, tudo aconteceu tão antes da hora que me esqueci como é que faço pra ir embora de volta pra inocência. Onde tudo era tão novo que cada ação cometida gerava algo mais novo ainda. É como filme reprisado, e jantar requentado, já conheço o final, já conheço o sabor e é tudo tão igual que perdeu o valor.

Eu gostaria de pedir desculpas a todas as pessoas que eu machuquei sendo egoísta e pensando apenas na minha felicidade passageira. Desculpa a quem tentou me ajudar e eu larguei de lado cegamente, desculpa pelas amizades, sonhos e relacionamentos que eu destruí, desculpa pela preocupação e dor que eu causei, desculpa pelas feridas que eu abri e pelas más lembranças que eu deixei. Desculpa por machucar à mim e a todos que tentaram me fazer bem. Peço perdão ao meu corpo e alma por te-los submetido a tanta tortura e perigo, e perdão à quem tentou me mostrar que realmente era meu amigo. Arrependimento é a palavra, dor é o preço que se paga e eu já gastei muito da minha felicidade pagando essa dor amarga.

Eu sou um brinquedo torto, quebrado, mau fabricado com peças de segunda mão e um coração machucado. Um corpo, não um objeto, sem uso definido jogado ao lado esperando ser consertado. Mas não se conserta o que já nasce com defeito, mau feito e de design imperfeito. É impossível arrumar o que a perfeição não foi capaz de criar.

